Carmen McRae – Sound of Silence

Depois de um longo período longe do bloguinho, decidi voltar.

Confesso que o período de eleições foi tão caótico, tanta baixaria, tanta briga pra todos os lados, que me deixou sem muita vontade de escrever e falar sobre coisas aparentemente sem importância, como musiquinhas que eu gosto.

Mas enfim, agora deu vontade de voltar, e cá estou, com muitas músicas legais pra compartilhar.

Já que estive em silêncio pelos últimos 40 dias por aqui, achei válido trazer uma música temática.

Trago a conhecidíssima “Sound of Silence” dos lindos Simon& Garfunkel, só que numa versão incrível, performado pela maravilhosa Carmen McRae, em 1968.

Musicalização fantástica, ritmo e groove sensacionais. E pra quem gosta de um belo baixo destacado, vai apreciar. Achei que ficou um cover incrível e cheio de personalidade.

Se deu vontade de ouvir a original, vou deixar aqui também:

Se você ficou com vontade de conhecer um pouco mais de Carmen McRae, ela é uma cantora americana, nascida no Brooklyn, filha de pais jamaicanos. Começou a tocar piano aos 8 anos, e aos 15 virou amiga de Billie Holiday. E daí em diante foi consolidando sua carreira como cantora de jazz.

Ela não recebeu tanta atenção da mídia como Billie, Sarah Vaughan ou Ella Fitzgerald, mas mesmo assim era uma cantora fantástica, com uma capacidade vocal impressionante.

Olha que diferente essa versão em inglês, super jazzada de “Chega de saudade”:

Aqui ela canta a clássica “My foolish heart” lindamente:

E dá-lhe música boa!

Slumberjack – Paperplanes

Putaqueopariu.

Serei obrigada novamente a postar uma música do Triple J – Like a cover.

Olha que cover FUDIDO de massa da música Paper Planes, feito pela banda Slumberjack :

Meu deus do céu esse trio de cordas foi pra matar, e essa fusão com Fake Love do Drake também.

Se você não conhece a música original, é da M.I.A, de 2007, e é beeeem diferente:

Confesso que demorei pra postar essa semana, pois escrevi um texto dizendo o que estava sentindo em relação a essa semana bizarra de eleições que acabamos de viver…mas depois de ver a represália CHOCANTE que aconteceu com Helena Rizzo nas redes fiquei tão abismada, e constatei que definitivamente a razão e o bom senso morreram.

Tenso.

Lilly Allen – Not fair

Hoje abri meu youtube, e tinha essa linda versão da musa Lilly Allen para Deep End da Lykke  Li:

Eu adoro muuuuito a Lilly Allen. Comecei a ouvir lá por 2008, 2009, quando ela lançou Smile, com aquele clipe que não parava de passar na MTV e eu amava.

Daí me lembro que descobri esse cover dela para Oh my god do Kaiser Chiefs, e eu escutei TANTO essa música até enjoar:

Nossa, e eu lembro que eu tinha acabado de adicionar ela no meu iPod e fui viajar. Por isso passei a viagem toda repetindo “Oh my God I can´t believe it, I´ve never been this farway from home…”. Acho apropriado.

Mas o título desse post é uma das minhas favoritas da Lilly , Not fair. Lembro que quando esse clipe lançou, eu surtei e fiquei obcecada pela estética, e claro, a música é sensacional:

E aí, qual a sua favorita da Lilly Allen?

Small Faces – All or nothing

Ultimamente estamos vivendo dias polarizados, opiniões exaltadas, tempos de muitos exageros, de tudo ou nada. Gente que nunca teve intelecto ou interesse político, fazendo 10 declarações por dia de cunho eleitoral.

É desesperador. É preocupante. É cansativo.

Mas no meio dessa canseira toda, veio a sensacional All or nothing na minha cabeça.

Small Faces é uma banda britânica que fez muito sucesso na década de 1960, tendo seu auge em 1966.

Outra música deles que gosto muito é essa aqui, Lazy Sunday Afternoon (que é um ótimo descritivo do que foi o dia de ontem, inclusive):

Boa semana! Sobrevivamos.

Elvis Presley – Devil in disguise

 

Quando você é uma pessoa jovem e está se iniciando no mundo da música e do rock’n’roll, existem dois nomes que sempre aparecem em qualquer pesquisa de referência, inspiração, etc. São eles Beatles e Elvis Presley.

Eu enxergo o Elvis como um baita de um formador de caráter musical. Ele é uma coisa meio Pai, filho, espírito santo do rock.

Se você, pequeno gafanhoto, começou na sua jornada de conhecimento musical (empolguei) ouvindo muito Elvis, estudando suas várias fases e diferenças musicais, você então foi descobrindo que Elvis influenciou todas as outras bandas e artistas fodas do rock depois dele, e aí você se dá conta que ele é, de fato, uma entidade sagrada.

Hoje estava pensando em algumas pessoas que são alguns desafetos meus, que se portam como bons mocinhos na frente de quem importa, e no fundo, eu sei que não valem nada. E involuntariamente soltei na minha cabeça a frase “Devil in disguise…” e imediatamente me veio essa música espetacular na cabeça.

Foi só dar o play nela que me deu uma nostalgia tão boa, como se eu tivesse vivido a época em que ela foi lançada:

 

Como é a primeira vez do Elvis por aqui, vou deixar mais uma:

E aí, qual é a sua música favorita do rei?

Chico Buarque – Mambembe

Existem  algumas músicas que eu gosto de ouvir por que sinto que tem uma energia diferente, uma coisa quase cósmica. Músicas que tem um poder mezzo sobrenatural, que você não saber explicar, mas que quando você escuta, é diferente de outras músicas.

Pra mim a primeira a vir a mente nesse estilo é Canto de Ossanha. Mas outra que tem a mesma sensação é essa aqui, Mambembe de Chico Buarque, que consegue ter esse efeito mesmo sendo uma música de 1 minuto e 50 segundos.

Eu adoro músicas que começam em crescendo, e é o caso dessa. Ela começa bem baixinha, e conforme vai subindo, parece que não para mais.

Outra coisa incrível, se você conseguir isolar seu ouvido da letra cantada, e se concentrar na instrumentação, vai ficar fascinado com um violão fora de série, incrivelmente complexo, além de uma trupe de violinos em momentos exatos da música, graves balanceados…é incrível. A instrumentação é espetacular.

A letra também é sensacional, métrica perfeita, rimas inteligentes, lindo, lindo.

E daí temos o canto em coro que eu sempre amo, que confere uma magnitude toda diferente.

Sensacional, porém uma pena tão grande que o brasileiro hoje em dia só sabe cagar no Chico Buarque, e só sabe se referir a ele como “aquele petista filho da puta”. E foda-se todo o resto de contribuição intelectual, e imensurável pro nosso patrimônio cultural, não é mesmo?

 

Jorge Ben – O Telefone

Uma vez eu comprei um livro muito louco chamado Alucinações musicais, imaginando que ele abordaria o processo criativo ou sentimental da música, ou qualquer coisa assim. Grande engano.

Ele é na verdade um livro escrito por um neurologista super foda chamado Oliver Sacks, que explica ao longo do livro várias doenças e problemas que pessoas nascem com ou desenvolvem ao longo da vida, relacionadas a alucinações musicais.

Quer um exemplo maluco?

O primeiro exemplo do livro é ótimo. Um médico americano foi atingido por um raio, e ficou um bom tempo internado se recuperando. Quando se recuperou definitivamente, não conseguia por nada no mundo tirar de sua cabeça uma melodia de piano. Ele ficou tão obcecado com o piano que ouvia em sua mente, que largou tudo (tudo mesmo, emprego, esposa, etc.) para se dedicar exclusivamente ao piano e conseguir tocar aquela música que ele não parava de ouvir.

Outro caso inusitado era de uma senhora, que arrumou briga com todos os seus vizinhos, pois estes não paravam de ouvir uma música ensurdecedora de tão alta, e sempre, o dia todo, a mesma música. Até que ela descobriu que a música não estava nos seus vizinhos, e sim dentro da sua cabeça. Era tão alto e ensurdecedor que ela se sentia maluca.

Por que contei tudo isso? Porque hoje acordei me sentindo a senhorinha do segundo exemplo. Acordei com O telefone, de Jorge Ben tocando na minha cabeça em looping, e eu a ouvia tão nítida, que era como se outra pessoa estivesse escutando ela numa caixinha de som do meu lado full time.

Foi louco.

Que pena….Que pena….