The Beatles – In my life

A vida adulta é uma coisa engraçada. A gente pula direto da adolescência, uma época em que a sua maior responsabilidade é passar no vestibular, direto pra um momento em que tudo é responsabilidade. Sua vida é guiada pelas suas responsabilidades, pelos seus afazeres e deveres, horários, comprometimentos, e a rotina vai se embaralhando com isso tudo.

No meio disso aí a gente vai aprendendo a conviver com várias coisas: ficar doente e não ter aula pra faltar, conquistar coisas muito de gente grande como uma casa ou um carro, ver amigos da sua idade tendo filhos, dentre várias outras coisas boas e ruins de ser adulto.

E uma das coisas que eu tinha muita resistência antes de ser adulto era ir em velório. Pra mim era algo impossível de lidar: gente que você ama morrendo e sendo velada, as pessoas chorando, todo mundo sentado em volta do caixão, aquele cerimonial todo. Mas a vida ensina que você só pode fugir desse tipo de situação até um certo ponto.

Vai chegar uma hora que não dá mais pra fugir, e você simplesmente começa a ir. E aí aconteceu comigo algo interessante: o que parecia impossível de lidar, passou a ser um ritual importante pra minha forma de processar as coisas, pra assimilar de fato o que está acontecendo ao invés de ficar em negação.

Porque diabos que eu tou dizendo tudo isso num blog de música do dia, você deve estar pensando. Bem, hoje estou indo no meu segundo velório em 5 dias, e confesso que a frequência me foi inusitada.

Fiquei reflexiva, é triste ver os sonhos sendo interrompidos, a vida das pessoas ao redor sendo modificada pra agora contornar a ausência daquele que já não existe mais. Não é tristeza propriamente dita, é reflexão nua e crua.

Sempre que alguém morre perto de mim, fico pensativa com as minhas escolhas, minha rotina, minha convivência diária com todos ao meu redor, enfim. Pra mim sempre vale pra me lembrar que não estamos no controle de nada, quando é pra algo acontecer, simplesmente acontece, e que por mais que em vida você consiga dar um jeito em tudo, na morte não se dá.

Pra não fugir com o propósito desse texto, vou deixar aqui uma música que pra mim representa muito bem esse momento, In my lifedos Beatles. Uma das melhores músicas daquela que é a melhor banda de todos os tempos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um novo site no WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: