Carmen McRae – Sound of Silence

Depois de um longo período longe do bloguinho, decidi voltar.

Confesso que o período de eleições foi tão caótico, tanta baixaria, tanta briga pra todos os lados, que me deixou sem muita vontade de escrever e falar sobre coisas aparentemente sem importância, como musiquinhas que eu gosto.

Mas enfim, agora deu vontade de voltar, e cá estou, com muitas músicas legais pra compartilhar.

Já que estive em silêncio pelos últimos 40 dias por aqui, achei válido trazer uma música temática.

Trago a conhecidíssima “Sound of Silence” dos lindos Simon& Garfunkel, só que numa versão incrível, performado pela maravilhosa Carmen McRae, em 1968.

Musicalização fantástica, ritmo e groove sensacionais. E pra quem gosta de um belo baixo destacado, vai apreciar. Achei que ficou um cover incrível e cheio de personalidade.

Se deu vontade de ouvir a original, vou deixar aqui também:

Se você ficou com vontade de conhecer um pouco mais de Carmen McRae, ela é uma cantora americana, nascida no Brooklyn, filha de pais jamaicanos. Começou a tocar piano aos 8 anos, e aos 15 virou amiga de Billie Holiday. E daí em diante foi consolidando sua carreira como cantora de jazz.

Ela não recebeu tanta atenção da mídia como Billie, Sarah Vaughan ou Ella Fitzgerald, mas mesmo assim era uma cantora fantástica, com uma capacidade vocal impressionante.

Olha que diferente essa versão em inglês, super jazzada de “Chega de saudade”:

Aqui ela canta a clássica “My foolish heart” lindamente:

E dá-lhe música boa!

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Small Faces – All or nothing

Ultimamente estamos vivendo dias polarizados, opiniões exaltadas, tempos de muitos exageros, de tudo ou nada. Gente que nunca teve intelecto ou interesse político, fazendo 10 declarações por dia de cunho eleitoral.

É desesperador. É preocupante. É cansativo.

Mas no meio dessa canseira toda, veio a sensacional All or nothing na minha cabeça.

Small Faces é uma banda britânica que fez muito sucesso na década de 1960, tendo seu auge em 1966.

Outra música deles que gosto muito é essa aqui, Lazy Sunday Afternoon (que é um ótimo descritivo do que foi o dia de ontem, inclusive):

Boa semana! Sobrevivamos.

Jorge Ben – O Telefone

Uma vez eu comprei um livro muito louco chamado Alucinações musicais, imaginando que ele abordaria o processo criativo ou sentimental da música, ou qualquer coisa assim. Grande engano.

Ele é na verdade um livro escrito por um neurologista super foda chamado Oliver Sacks, que explica ao longo do livro várias doenças e problemas que pessoas nascem com ou desenvolvem ao longo da vida, relacionadas a alucinações musicais.

Quer um exemplo maluco?

O primeiro exemplo do livro é ótimo. Um médico americano foi atingido por um raio, e ficou um bom tempo internado se recuperando. Quando se recuperou definitivamente, não conseguia por nada no mundo tirar de sua cabeça uma melodia de piano. Ele ficou tão obcecado com o piano que ouvia em sua mente, que largou tudo (tudo mesmo, emprego, esposa, etc.) para se dedicar exclusivamente ao piano e conseguir tocar aquela música que ele não parava de ouvir.

Outro caso inusitado era de uma senhora, que arrumou briga com todos os seus vizinhos, pois estes não paravam de ouvir uma música ensurdecedora de tão alta, e sempre, o dia todo, a mesma música. Até que ela descobriu que a música não estava nos seus vizinhos, e sim dentro da sua cabeça. Era tão alto e ensurdecedor que ela se sentia maluca.

Por que contei tudo isso? Porque hoje acordei me sentindo a senhorinha do segundo exemplo. Acordei com O telefone, de Jorge Ben tocando na minha cabeça em looping, e eu a ouvia tão nítida, que era como se outra pessoa estivesse escutando ela numa caixinha de som do meu lado full time.

Foi louco.

Que pena….Que pena….

Dalva de Oliveira – Bandeira Branca

Não sei por qual motivo acordei com essa música na cabeça hoje, nessa versão incomparável da Dalva de Oliveira.

Acho ela incrível, potente, emblemática.

Quem já conhece esse bloguinho, sabe que eu adoro pensar em “músicas dignas de trilha sonora”, e acho essa música tão forte, com um significado tão legal, uma instrumentação tão foda, que imagina só ela sendo empregada em um momento decisivo, impactante de um filme?

Sensacional:

Recentemente li o incrível livro “A noite de meu bem” do Ruy Castro, em que ele conta com riqueza de detalhes a trajetória de Dalva e de tantos outros nomes incríveis da música nacional nas décadas de 30, 40 e 50.

Nessa época, como podemos imaginar, as gravações eram muito mais difíceis e caras de executar do que hoje. E por isso, as gravadoras tinham seus artistas favoritos, que eram os que tinham “direito” a usar orquestras completas em suas gravações. Dalva de Oliveira era uma dessas. Basta prestar atenção em algumas de suas músicas para perceber a riqueza de instrumentação e se dar conta que ela era pra lá de favorita:

Pra fechar em clima carnavalesco, deixo Dalva cantando Máscara Negra de Zé Keti (como eu amo as vogais alongadas) :

Tanto riso, oh, quanta alegria!

Brenton Wood – Oogum Boogum Song

Hoje é quarta-feira, um dia meio perdido no meio da semana, mas mesmo assim tou me sentindo animada.

Hoje vou deixar uma musiquinha muito legal, 1000% digna do título “Música de trilha sonora” porque com certeza eu e você já ouvimos essa musiquinha por aí em algum filme ou episódio.

Oogum Boogum Song é de 1967, performada pelo maravilhoso Brenton Wood, cantor americano cujso maiores sucessos foram Oogum Boogum e Give me a little sign:

E aí, deu pra animar sua quarta-feira?

Viva o Paulinho

Lembra quando você tava no colégio e seu professor de historia te ensinou sobre Eurocentrismo, aquela visão de que era a Europa vista como centro do mundo, e etc? Copiando da wikipedia: O eurocentrismo é uma visão de mundo que tende a colocar a Europa como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente a protagonista da história do homem.

Então, eu sou bem assim no mundo da música com BEATLECENTRISMO. Pra mim tudo de bom e inovador no mundo da música é graças aos Beatles e simples assim, e sem mais, e fim de papo e tchau e bença.

beatlecentrismo é uma visão de Paula que tende a colocar osBeatles como o elemento fundamental na constituição da sociedade moderna, sendo necessariamente os protagonistas da história do homem.

Deu pra entender né?

Embora eu ame os Beatles como uma unidade, é inevitável termos nossos favoritos. Eu amo muito o George com seu jeito silencioso, amável e espiritual. Mas vamo abrir o jogo né moçada: o Paul é o verdadeiro gênio do rolê. O Paul é o fenômeno publicitário, criativo, descolado e intelectual da patotinha.

Na minha opinião o Paul é hoje o maior artista e gênio criativo vivo. Eu avisei que eu sou Beatlecentrista, logo, deu pra você desistir de ler lá em cima. Aqui não trabalhamos com imparcialidades.

E porque de todos os dias, logo hoje esse ode ao Sir Paul McCartney? Porque hoje é o aniversário do nosso querido Macca, 76 aninhos muito bem vividos, marcando a vida de milhões de pessoas por todo o mundo!

Eu tenho tanta coisa pra escrever aqui, que acho que vou acabar é não escrevendo nada pra não ficar um texto de 14 páginas. Já li tanto livro, já assisti tanto filme e documentário sobre essa carinha aqui que considero pacas, que olha. É amor demais e dava pra gente ficar um tempão conversando dele.

A primeira música que vou postar dele é nos Beatles. Yesterday é uma música que o Paul sonhou com a melodia, acordou e foi direto pro piano tocar pra não esquecer. Enquanto ele não conseguia pensar em uma letra pra essa melodia ele cantou “Scrambled eggs…Oh my baby how I love your legs…” algo como “Ovos mexidos…Oh meu amor como eu amo suas pernas”  e então ficou com essa melodia travada a essa letra em sua cabeça por tanto tempo, que demorou muito a conseguir compor a letra de Yesterday de fato. Ah, mais uma informação: Yesterday é a música mais regravada no mundo. Sem mais:

Tou suando aqui.  Tou fazendo uma curadoria de muitas músicas que amo desse cara tão maravilhoso, não é fácil. Vou jogar duas inusitadas aqui que eu amo muito, do White Album, que é o meu disco predileto.

Ia colocar Rocky Racoon, mas não achei o áudio original no youtube, e me recuso a num post de homenagem ao Paulie colocar o vídeo com outra pessoa cantando.

Então deixo só Honey Pie, que mostra toda a versatilidade vocal do Macca, fazendo aqui uma homenagem ao Fats Domino e seu estilo de cantar:

Em 2012 (se não me falha a memória) eu tive o privilégio de ver o show desse homem no RJ. E se você é fã de Beatles e nunca foi em um show do Paul, meu amigo, o que você tá esperando? É uma experiência extracorpórea, eu te prometo. Principalmente quando toca essa música aqui:

E essa aqui idem, é só escutar os acordes iniciais dessa música que já me dá um negócio só de lembrar de que um dia fui nesse show:

A primeira música que eu ouvi do Paul fora dos Beatles foi essa aqui embaixo, num disquinho 8 polegadas com ela de single. Emblemático as fuck. Gostei tanto que depois comprei o vinil do maravilhoso RAM que tem ela no lado A. Além de tudo, esse clipe é maravilhoso, mostra uns momentos fofíssimos de Paul&Linda na vida em família:

Pra fechar, vou deixar uma que pra quem é fã de Beatles mesmo, é sempre uma música muito emocionante. Here Today (Aqui hoje), é a música que Paul compôs pro John depois que ele morreu. Ela é tão emocionante, que até o próprio Macca se emociona cantando ela AQUI, já que excedi meu limite de vídeos por post.

Depois desse post eu consegui te converter pro Beatlecentrismo ou pro Mccartneymismo? Espero que sim.

Vida longa ao Macca! Não morre nunca Paul, pelo amor!