Lucio Corsi – Cosa faremo da grandi?

Tempos estranhos que estamos vivendo.

Tempos estranhos e difíceis.

É bem angustiante essa situação de quarentena, falta de comida e produtos de higiene básica nos mercados. O mais angustiante disso tudo e simplesmente não saber o dia de amanha, nao saber o que vai ser, o que vai acontecer.

Qual a próxima coisa a ser proibida, fechada, permitida, esgotada, enfim.

São tantas variáveis que fogem do nosso controle e do nosso conhecimento que chega a ser fascinante. Fascinante no sentido de que nos lembra como somos insignificantes diante da magnitude do universo.

Como nossos planos, datas, horários são meros detalhes ínfimos em um turbilhão de fatores que não hesitam em esmagar todos os planejamentos feitos cuidadosamente.

E interessante.

Em inglês tem uma expressão que falta no português, chamada “humbling”, que é o verbo de “tornar humilde”. Talvez e um verbo que falta no Brasil porque reflete a falta de humildade generalizada que existe no nosso país. No Brasil, “humilde” e sinônimo de pobre, vexado, sem estrutura ou condições. O erro mora na sintaxe, porque por definição, humilde é aquele que conhece as próprias limitações, que e modesto. Nao sou eu quem digo, mas sim o dicionário. 

Porém me parece que o brasileiro prefere esquecer essa definição e continuar se apegando a definição do pobre e sem estrutura, e por isso se recusa a ser humilde, portanto evita evoluir, reconhecer seus erros, aprender.

Confesso que entendo que nenhum de nós (exceto talvez o Bill Gates) imaginou que experienciariamos uma pandemia de vírus ao longo da nossa permanencia aqui na Terra, mas esse é o mundo em que vivemos, as coisas acontecem sem que as desejamos ou esperamos. Se fosse para recebermos apenas aquilo que desejamos avidamente, todos viveríamos em mansões grandes demais e talvez o Brad Pitt teria muitas esposas. 

Cabe a nós exercer o imperativo do verbo Humbling, seguir a ordem de entender, olhar, estudar, aprender, colocar em prática aquilo que é orientado e ensinado, pois só assim podemos evoluir, crescer, superar  e prosperar. Não é pedir demais, tanto que nem precisa fazer passeata em meio a uma pandemia pra pedir isso.

 

No ano passado tive o privilégio de morar alguns meses na Itália, que foi um país que me acolheu e me transformou profundamente, me ensinando uma nova língua, várias novas culturas e tanta coisa fantástica.

Me senti adotada e repatriada, me vi transformada e acolhida por uma cultura que eu não imaginava que pudesse existir tanto, de uma só vez, em um só territorio. Foi transformador, me senti tão parte daquilo tudo, que parecia que nunca havia estado em outro lugar por tanto tempo.

Conforme a propagação do vírus foi dizimando a Italia perante os olhos de todo o mundo, aquilo foi me apertando o coracao de uma maneira que eu nao podia entender.

Eu ja estava longe de la fazia alguns meses, mas ainda me sentia presente. 

Quando foi decretada a quarentena em todo o pais, foi quando senti uma piedade tao grande que virou quase uma dor fisica. Fiquei pensando em quantas familias teriam seus ancioes em risco, quantos negocios pequenos sofreriam baques financeiros irrecuperaveis, quantas pessoas tiveram eventos marcantes e planos tao sonhados destruidos diante de seus olhos… Enfim, nao consegui pensar em outra coisa por muitos dias, e talvez por isso fiquei ouvindo cancoes italianas sem parar, talvez foi minha forma reclusa de demonstrar solidariedade.

 

Recentemente conheci um jovem artista toscano fantastico, comecei  a ouvir suas cancoes e nao parei mais. A primeira que conheci foi Freccia Bianca, mas a que deixo aqui hoje se chama Cosa faremo da grandi, ou em traducao literal, “O que faremos quando crescer”, que me parece uma reflexao bem apropriada pra esse momento:

Aproveito e deixo Freccia Bianca para voce curtir tambem:

Hey – Pixies

We gotta talk ‘bout The Pixies.

We gotta talk ‘bout this song in particular.

Or maybe we don’t need to really talk about it at all, and let’s just cut the crap and hear it already. Sorry, I swear I have better manners, but man, this song gets to you!

Do you guys recall when I wrote here about Canto de Ossanha, and I philosophized about how some songs have a crazy, weird, disturbing cosmic power of causing you feels when you hear ‘em?

Yeah, here comes another one of those.

But please, do me a favor, and crack up the volume when you hear Hey!, by the Pixies. I promise you’ll have a good time.

This song is all weird and different, sort of divided and broken, with a rather simple guitar riff, that comes in unpretentiously, but that will just stick to your brains all day long.

The lyrics are bananas, but I’m sure you’ll quickly memorize’em and will sing along in a heartbeat.

Enough talking, just listen to it already!

And here’s a live version of it, from 1988, pretty darn cool.

Just in case you have become a little curious about the Pixies’s history, here’s a nice video talking about it:

 

 

 

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Precisamos falar sobre Pixies.

Precisamos falar sobre essa música.

Meu querido leitor agnóstico, ateu, cético de Pixies. Chame-se como quiser.

Lembra quando eu postei Canto de Ossanha por aqui, e disse que certas músicas tem um poder cósmico, mágico, estranho , perturbador, inusitado de causar uma sensação ao ouvir?

Então, essa é uma delas.

Mas tem que ouvir bem alto, taolkey? Prometo que você vai se impressionar.

Ela é quebrada, divida em diversas partes distintas, uma guitarra que entra simplinha no ouvido mas não sai de lá.

E uma letra doidona, que te faz cantar junto do começo ao fim. Eu não sei explicar.

Eu não vou confabular mais. Aumenta o som, desliga o cérebro e só curte esse som sensacional:

 

Vou aproveitar e deixar uma versão ao vivo de 1988 muito legal tambem:

Caso você esteja se sentindo curioso pra saber mais sobre Pixies, segue aqui um vídeo explicando um pouco a história da banda:

 

Cartão postal – Apanhador só

As I mentioned previously, I kinda moved from Brazil to Italy these past couple of days.

Yeah.

Now it sort of makes sense all of those occasional italian song that would pop in here and there, right?  

Back when I still was living in Brazil, I’d often think that I would miss so many foods and drinks – don’t judge my fat mindset. But how surprised was I, when I realised that what made me feel more homesick of all was the music.

Every time I’d listen to a good brazilian song, I’d feel emotional, both near and far. Crazy and weird, but what can I say? Feelings, bro.

The song today is not your  traditional or quintessential old school samba, but rather is an adorable and easy going song, called Cartão Postal , which means postcard.

This song made me think about my days here in Italy both as a tourist and as a resident. The song says “I’m sitting inside of a postcard / Looking closely, everything seems so normal” which is kinda how I feel like now? I sort of live inside of postcards now, so it really is a different sensation, visiting without the hurry of a 1 week vacation, really makes the city seem so normal.

Hope you enjoy it:

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Como disse por esses dias, meio que acabei me mudando do Brasil pra Itália há algumas semanas.

Agora faz sentido pra você o porque de algumas ocasionais músicas italianas por aqui né não?

Quando pensava na minha partida do BR pra cá, ficava pensando “vou sentir tanta saudade da comida brasileira”, pensava na saudade do pão de queijo, do escondidinho, da coxinha, do brigadeiro, etc, etc, etc. Longa lista da gordinha.

Qual não foi minha surpresa que ao chegar aqui eu não senti falta da comida, mas sim das minhas musiquinhas brasileiras? Que maravilha é a música, esse negócio imaterial e que ao mesmo tempo traz todo tipo de sensação física e psicológica. Vai entender?

Cheguei aqui e me pegava preparando uma pasta ou qualquer comida bem italianuda que você queira imaginar, e sentia necessidade de uma música brasileira, um samba, uma bossa, enfim.

Mas hoje trago não um sambão, mas uma musiquinha amena e bonita, chamada cartão postal. Ela me faz pensar  nos meus dias em que turisto por aqui. “Estou sentado dentro de um cartão postal, olhando aqui de perto tudo é tão normal”, que é como me sinto agora que meio que eu moro  nos cartões postais? É uma sensação diferente, visitar uma cidade turística sem aquela pressa habitual de viagem de uma semana, realmente tudo parece normal.

Espero que você goste:

Stormi – Iosonouncane

If you read me for a while now, you must know that I absolutely love me some “soundtrack worthy” songs. This sure is a great one, my friend.

This is the song for the perfect ending for the perfect movie. A happy and full of reflexions ending, where everybody ends up content after many struggles. Or no, maybe it is the beginig of a high energetic indie movie, that midways becomes sad and everybody dies. Wait, that became too tragic too quickly.

Nah, let’s quit thinking about this fictional non existing movie, let’s focus on how awesome this song really is. The band is called Iosonouncane which means literally in italian “I am a dog” and you know I couldn’t love it more.

But beware, even though you don’t know the lyrics to this song, the melody of Stormi sure will stick with you all day long: 

https://www.youtube.com/watch?v=iwRLrz5Uceg

 

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Hoje trago uma música de final de filme feliz e reflexivo, que acaba tudo bem e todos felizes, ou de começo de filme indie que começa com todos felizes, mas no final as coisas vão dando errado e fica triste : você escolhe como quer se sentir com essa musiquinha.

Ela é deliciosa, leve, animada, e eu amei que o nome da banda é Iosonouncane, ou seja “Eu sou cão” em italiano.

Aviso! Você vai ficar com a melodia de Stormi na cabeça por muito tempo, sem conseguir cantar uma palavra sequer.

 

 

Ana Frango Elétrico – Farelos

Hoje trago uma música inusitada e gostosinha de ouvir. Garanto que você vai ficar com a frase “I…have….only fareloshhhh!” na cabeça por um tempo. A música Farelos apareceu no meu shuffle e eu amei. Acho que você vai  curtir também:

Se você achou engraçado o nome Ana Frango Elétrico da cantora (eu também achei), eu te explico o porque: Ela se chama Ana Fainguelernt, e só queria um nome fácil de pronunciar que fosse parecido com seu sobrenome de verdade. Logo, Fainguelernt < Frango elétrico.

Se eu fosse aderir a essa ideia, acho que me chamaria Paula Vai lá. Melhor não?

Vou deixar aqui o disco todo, que é uma coisa meio psicodélica, meio tropicália, com uma vozinha suave, letras louquíssimas, e instrumentação muito legal:

 

Lilly Allen – Not fair

Hoje abri meu youtube, e tinha essa linda versão da musa Lilly Allen para Deep End da Lykke  Li:

Eu adoro muuuuito a Lilly Allen. Comecei a ouvir lá por 2008, 2009, quando ela lançou Smile, com aquele clipe que não parava de passar na MTV e eu amava.

Daí me lembro que descobri esse cover dela para Oh my god do Kaiser Chiefs, e eu escutei TANTO essa música até enjoar:

Nossa, e eu lembro que eu tinha acabado de adicionar ela no meu iPod e fui viajar. Por isso passei a viagem toda repetindo “Oh my God I can´t believe it, I´ve never been this farway from home…”. Acho apropriado.

Mas o título desse post é uma das minhas favoritas da Lilly , Not fair. Lembro que quando esse clipe lançou, eu surtei e fiquei obcecada pela estética, e claro, a música é sensacional:

E aí, qual a sua favorita da Lilly Allen?

Maps – Cape Cope

Que a música Maps do Yeah Yeah Yeahs é maravilhosa não é novidade pra ninguém.

Acho essa música espetacular em tudo, na letra, no ritmo, acho muito emocional, carregada de sentimento.

Se você não conhece a versão original, curta aqui:

 

Os covers do programa Triple J – Like a version aparecem frequentemente por aqui, pois sempre tem artistas famosos e não tão famosos assim fazendo covers incríveis.

Hoje trago um trio punk australiano composto por 3 meninas talentosas chamado Camp Cope. Se você também ama Maps, se prepare que essa versão vai te emocionar:

Lindo né?