Tanto faz – Tim Bernardes

Eu já escrevi aqui sobre a fantástica banda O Terno. Se você nunca ouviu nada deles, corre lá ouvir!

Já correu?

Recuperou o fôlego?

Voltou?

Então tá bem então.

Vamos lá.

Tim Bernardes é o vocalista d’O Terno, porém leva em paralelo uma carreira solo fantástica. Ele tem 27 aninhos (minha idade, me senti muito improdutiva inclusive, que saco) e é fantástico.

Escuta só Tanto Faz e se surpreenda:

 

é demais, né não?

Ele é incrível cantor, compositor, violonista, enfim. É bão d+

 

Vou aproveitar e deixar uma entrevista dele por aqui:

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Dê um Role – Gal Costa

Essa é uma música sensacional, originalmente dos Novos Baianos, mas aqui trago interpretada pela inigualável Gal Costa.

Essa é uma versão ao vivo de 1971, com uma instrumentação foda, e um baixo sensacional do começo ao fim.

Adoro algumas frases dessa música, que me parecem muito lindas pros tempos malucos que estamos vivendo:

“Enquanto eles se batem
Dê um rolê e você vai ouvir
Apenas quem já dizia
Eu não tenho nada
Antes de você ser, eu sou
Eu sou, eu sou, eu sou o amor da cabeça aos pés”

 

Curta, e fique com ela na cabeça o resto do dia:
Agora, caso você queira conhecer a versão dos Novos Baianos, que é igualmente fantástica (embora, se eu pudesse eliminar essa flauta incômoda, eu o faria), segue abaixo. Boa sorte tentando escolher sua favorita:

The smiling hour – Sarah Vaughan

Muitos aninhos atrás, quando eu comecei a colecionar discos de vinil, eu logo me apaixonei pela Ella Fitzgerald e muitas outras figurinhas frequentes na época que vinil não valia nada.

Uma delas foi ela, “The Divine One“, a divina, Sarah Vaughan.

Sarah Vaughan cantou de 1942 até 1990, ou seja, temos tudo que é tipo de período, estilo, e inclusive de evolução da voz da cantora pra apreciar. E isso é muito legal.

Sarah era completamente apaixonada pro Brasil, inclusive fez várias turnês pelo país. Na década de 1970, gravou o disco “I love Brazil!” com Milton Nascimento, Dorival Caymmi e Tom Jobim – que foi indicado ao Grammy.

Em 1981 ela lançou o álbum Copacabana, de onde vem a musica de hoje, The smiling hour.

Em 1987 foi gravado o último disco de Sarah, chamado “Brazilian Romance”, produzido pro ninguém menos que Sergio Mendes.

Curta The smiling hour:

Essa é uma versão em inglês para a música Abre alas, de Ivan Lins, que você pode conferir abaixo, e decidir qual é a sua favorita:

“Já está chegando a hora…”

Cartão postal – Apanhador só

 

Como disse por esses dias, meio que acabei me mudando do Brasil pra Itália há algumas semanas.

Agora faz sentido pra você o porque de algumas ocasionais músicas italianas por aqui né não?

Quando pensava na minha partida do BR pra cá, ficava pensando “vou sentir tanta saudade da comida brasileira”, pensava na saudade do pão de queijo, do escondidinho, da coxinha, do brigadeiro, etc, etc, etc. Longa lista da gordinha.

Qual não foi minha surpresa que ao chegar aqui eu não senti falta da comida, mas sim das minhas musiquinhas brasileiras? Que maravilha é a música, esse negócio imaterial e que ao mesmo tempo traz todo tipo de sensação física e psicológica. Vai entender?

Cheguei aqui e me pegava preparando uma pasta ou qualquer comida bem italianuda que você queira imaginar, e sentia necessidade de uma música brasileira, um samba, uma bossa, enfim.

Mas hoje trago não um sambão, mas uma musiquinha amena e bonita, chamada cartão postal. Ela me faz pensar  nos meus dias em que turisto por aqui. “Estou sentado dentro de um cartão postal, olhando aqui de perto tudo é tão normal”, que é como me sinto agora que meio que eu moro  nos cartões postais? É uma sensação diferente, visitar uma cidade turística sem aquela pressa habitual de viagem de uma semana, realmente tudo parece normal.

Espero que você goste:

Tempo de Pipa – Cícero

Eu tenho uma mania muito significativa de ficar com certas músicas presas em looping na minha cabeça.

Acho que já falei disso por aqui.

São tipo assombrações ou alucinações musicais, assim por dizer – com um pouquinho de exagero.

Mas é impressionante.

Quando entra nesse looping, a música toca como se estivesse numa caixa de som bem perto de mim, e eu fico repetindo as mesmas frases por dias, noites, sonho com a frase, acordo com a melodia ecoando. É uma coisa.

E muitas vezes esses episódios de loopings acontecem atrelados a alguns acontecimentos específicos. Um jantar, um aniversário, uma viagem, as vezes é com nada mesmo.

Esses dias acabei me mudando do Brasil pra Itália, sabe assim? Coisas da vida.

E daí que acho que você pode imaginar que teve bastante antecipação, ansiedade e expectativa envolvida.

Os dias que anteciparam a viagem foram uma loucura tremenda, cheios de mil coisas pra fazer e resolver antes de viajar.

O dia de fato da viagem foi de uma calmaria que me incomodou. Como assim eu não tinha mais nada pra resolver? Pois é, realmente só restava esperar o voo. E ecco: aí estava. Chegou uma musiquinha pra grudar em looping pra ajudar.

Tempo de Pipa, do Cícero grudou que nem alucinação no meu ouvido no dia da viagem. Provavelmente por causa da frase “odeio despedidas…”

Talvez por causa do “eu vou te acompanhar, de fita” que eu entendia que era “de cima” , e associava ao avião que estava prestes a pegar, virava uma linda metáfora.

Talvez por causa do “Mas tudo bem, o dia vai raiar, pra gente se inventar, de novo” , que me parece uma baita de uma frase pra quem tá passando por uma baita de uma mudança, uma mudança continetal, deveras.

Fique com essa música linda, e cuidado: ela pode grudar em looping : )!

Ana Frango Elétrico – Farelos

Hoje trago uma música inusitada e gostosinha de ouvir. Garanto que você vai ficar com a frase “I…have….only fareloshhhh!” na cabeça por um tempo. A música Farelos apareceu no meu shuffle e eu amei. Acho que você vai  curtir também:

Se você achou engraçado o nome Ana Frango Elétrico da cantora (eu também achei), eu te explico o porque: Ela se chama Ana Fainguelernt, e só queria um nome fácil de pronunciar que fosse parecido com seu sobrenome de verdade. Logo, Fainguelernt < Frango elétrico.

Se eu fosse aderir a essa ideia, acho que me chamaria Paula Vai lá. Melhor não?

Vou deixar aqui o disco todo, que é uma coisa meio psicodélica, meio tropicália, com uma vozinha suave, letras louquíssimas, e instrumentação muito legal:

 

Chico Buarque – Mambembe

Existem  algumas músicas que eu gosto de ouvir por que sinto que tem uma energia diferente, uma coisa quase cósmica. Músicas que tem um poder mezzo sobrenatural, que você não saber explicar, mas que quando você escuta, é diferente de outras músicas.

Pra mim a primeira a vir a mente nesse estilo é Canto de Ossanha. Mas outra que tem a mesma sensação é essa aqui, Mambembe de Chico Buarque, que consegue ter esse efeito mesmo sendo uma música de 1 minuto e 50 segundos.

Eu adoro músicas que começam em crescendo, e é o caso dessa. Ela começa bem baixinha, e conforme vai subindo, parece que não para mais.

Outra coisa incrível, se você conseguir isolar seu ouvido da letra cantada, e se concentrar na instrumentação, vai ficar fascinado com um violão fora de série, incrivelmente complexo, além de uma trupe de violinos em momentos exatos da música, graves balanceados…é incrível. A instrumentação é espetacular.

A letra também é sensacional, métrica perfeita, rimas inteligentes, lindo, lindo.

E daí temos o canto em coro que eu sempre amo, que confere uma magnitude toda diferente.

Sensacional, porém uma pena tão grande que o brasileiro hoje em dia só sabe cagar no Chico Buarque, e só sabe se referir a ele como “aquele petista filho da puta”. E foda-se todo o resto de contribuição intelectual, e imensurável pro nosso patrimônio cultural, não é mesmo?