Chico Buarque – Mambembe

Existem  algumas músicas que eu gosto de ouvir por que sinto que tem uma energia diferente, uma coisa quase cósmica. Músicas que tem um poder mezzo sobrenatural, que você não saber explicar, mas que quando você escuta, é diferente de outras músicas.

Pra mim a primeira a vir a mente nesse estilo é Canto de Ossanha. Mas outra que tem a mesma sensação é essa aqui, Mambembe de Chico Buarque, que consegue ter esse efeito mesmo sendo uma música de 1 minuto e 50 segundos.

Eu adoro músicas que começam em crescendo, e é o caso dessa. Ela começa bem baixinha, e conforme vai subindo, parece que não para mais.

Outra coisa incrível, se você conseguir isolar seu ouvido da letra cantada, e se concentrar na instrumentação, vai ficar fascinado com um violão fora de série, incrivelmente complexo, além de uma trupe de violinos em momentos exatos da música, graves balanceados…é incrível. A instrumentação é espetacular.

A letra também é sensacional, métrica perfeita, rimas inteligentes, lindo, lindo.

E daí temos o canto em coro que eu sempre amo, que confere uma magnitude toda diferente.

Sensacional, porém uma pena tão grande que o brasileiro hoje em dia só sabe cagar no Chico Buarque, e só sabe se referir a ele como “aquele petista filho da puta”. E foda-se todo o resto de contribuição intelectual, e imensurável pro nosso patrimônio cultural, não é mesmo?

 

Jorge Ben – O Telefone

Uma vez eu comprei um livro muito louco chamado Alucinações musicais, imaginando que ele abordaria o processo criativo ou sentimental da música, ou qualquer coisa assim. Grande engano.

Ele é na verdade um livro escrito por um neurologista super foda chamado Oliver Sacks, que explica ao longo do livro várias doenças e problemas que pessoas nascem com ou desenvolvem ao longo da vida, relacionadas a alucinações musicais.

Quer um exemplo maluco?

O primeiro exemplo do livro é ótimo. Um médico americano foi atingido por um raio, e ficou um bom tempo internado se recuperando. Quando se recuperou definitivamente, não conseguia por nada no mundo tirar de sua cabeça uma melodia de piano. Ele ficou tão obcecado com o piano que ouvia em sua mente, que largou tudo (tudo mesmo, emprego, esposa, etc.) para se dedicar exclusivamente ao piano e conseguir tocar aquela música que ele não parava de ouvir.

Outro caso inusitado era de uma senhora, que arrumou briga com todos os seus vizinhos, pois estes não paravam de ouvir uma música ensurdecedora de tão alta, e sempre, o dia todo, a mesma música. Até que ela descobriu que a música não estava nos seus vizinhos, e sim dentro da sua cabeça. Era tão alto e ensurdecedor que ela se sentia maluca.

Por que contei tudo isso? Porque hoje acordei me sentindo a senhorinha do segundo exemplo. Acordei com O telefone, de Jorge Ben tocando na minha cabeça em looping, e eu a ouvia tão nítida, que era como se outra pessoa estivesse escutando ela numa caixinha de som do meu lado full time.

Foi louco.

Que pena….Que pena….

Dalva de Oliveira – Bandeira Branca

Não sei por qual motivo acordei com essa música na cabeça hoje, nessa versão incomparável da Dalva de Oliveira.

Acho ela incrível, potente, emblemática.

Quem já conhece esse bloguinho, sabe que eu adoro pensar em “músicas dignas de trilha sonora”, e acho essa música tão forte, com um significado tão legal, uma instrumentação tão foda, que imagina só ela sendo empregada em um momento decisivo, impactante de um filme?

Sensacional:

Recentemente li o incrível livro “A noite de meu bem” do Ruy Castro, em que ele conta com riqueza de detalhes a trajetória de Dalva e de tantos outros nomes incríveis da música nacional nas décadas de 30, 40 e 50.

Nessa época, como podemos imaginar, as gravações eram muito mais difíceis e caras de executar do que hoje. E por isso, as gravadoras tinham seus artistas favoritos, que eram os que tinham “direito” a usar orquestras completas em suas gravações. Dalva de Oliveira era uma dessas. Basta prestar atenção em algumas de suas músicas para perceber a riqueza de instrumentação e se dar conta que ela era pra lá de favorita:

Pra fechar em clima carnavalesco, deixo Dalva cantando Máscara Negra de Zé Keti (como eu amo as vogais alongadas) :

Tanto riso, oh, quanta alegria!

Originais do Samba – Falador passa mal

Hoje percebi (não sei se começou antes), que começaram as propagandas políticas na tv e no rádio.

Eu considero a época de eleições desesperador, um desastre generalizado (essas eleições presidenciais então, só por deus) . São tantas promessas absurdas e infundadas, que achei apropriada essa música pra esse momento:

Reconheceu de quem é a risada no meio da música?

É ele mesmo, o Mussum. O Originais do Samba era o grupo de samba dele antes de entrar pros Trapalhões. Legal né?

Olha que Mussum novinho mandando um ao vivasso sensacional aqui:

Aqui o Mussum fala do jeitão boa praça dele de como começaram os Originais do Samba, e algumas dificuldades que eles passaram:

Tá na hora de empirulitar?

Dorival Caymmi – Saudades da Bahia

 

 

Hoje por algum motivo inusitado (fome, quem sabe?), acordei com a fofíssima música Quindis de Yaya na voz do Dorival Caymmi tocando na minha cabeça.

Pensei em posta-la aqui hoje, mas infelizmente não encontrei a versão do Dorival no youtube, e eu também só tenho ela em vinil. Em contrapartida, encontrei essa versão divertida do filme da Disney de 1944, “Los Tres Caballeros”, divirta-se:

Depois disso, só de ficar o nome Dorival Caymmi na minha cabeça, a primeira música que penso dele é essa:

“Se ter saudade é ter algum defeito…eu pelo menos mereço o direito, de ter alguém com quem eu possa me confessar…”

E a próxima que vem a mente quando penso em Dorival, é a espetacular Suíte dos Pescadores, forte, impactante:

Como eu adoro minhas coincidências inusitadas de datas por aqui, semana passada, dia 16, completou 10 anos da morte do Caymmi.

 

Dingo Bells – Dinossauros

A música de hoje é muito linda, é uma graça, é maravilhosa. Viva o rock nacional, meu deus do céu.

Faz pelo menos umas 2 semanas que TODOS OS DIAS acordo pela manhã com essa música na cabeça, com a maravilhosa frase:

“É…talvez…a sua imaginação, esteja tão limitada, por problemas reais…”

E quer verdade maior que essa? O tanto que nossa imaginação fica limitada por problemas reais?

A música Dinossauros da maravilhosa banda Dingo Bells tem uma letra toda maravilhosa. Curta, curta muito, curta a letra, curta a melodia, curta tudo:

Sempre que eles falam “Hoje me sinto, como de certo se sentiram os astronautas, quando souberam que de frente lá na lua, não voltariam pro Cabo Canaveral…” sinto um apertinho no peito e me dá uma tristezinha momentânea. Toda. Santa. Vez.

Gostaria de mencionar também que acho essa música altamente BEATLECÊNTRICA, influenciada lindamente pela fase Sgt Peppers / Abbey Road / White Album. Se você pegar ali a partir do minuto 2:30, parece até que estamos ouvindo um trecho de A day in the lifecom o solo inicial de Something. Pode ouvir, lembra muito! Melhores referências possíveis.

Mas confesso que a banda Dingo Bells me evoca uma outra referência ótima e muito engraçada. Se você tem crianças pequenas perto de você, provavelmente você conhece as músicas do Mundo de Bita. Não vou linkar aqui, porque se você de fato tem crianças pequenas, você já ouviu Mundo de Bita até cansar e muito.

Mas escuta só a música Sinta-se em casa, e veja se a voz não parece muitoooooo a voz do Bita:

É o Bita, gente!

E olha aí, eles são o estilo de banda que eu amo. Simplesmente incríveis ao vivo. Olha eles aí arrasando no Sofar Latin America:

bom demais, né não?!