Carlos Lyra – Marcha da quarta-feira de cinzas

Feliz ano novo amiguinhos!

Hoje meu pai me passou uma música-medley maravilhosa do Carlos Lyra, que ele diz que fazia muito tempo que tentava encontrar, mas não encontrava de jeito maneira. Mais ou menos igual foi minha saga com Mistério do Planeta.

Fazia muito tempo que eu não ouvia Carlos Lyra, mas nessa música especialmente ele fala muito antes de cantar. E se me permitem, vou fazer um parênteses aqui: Carlos Lyra era um dos melhores amigos de Fernando Sabino, um dos meus escritores favoritos.

A escrita do Fernando Sabino é de contos muito ágeis, perspicazes e divertidos, com tiradas ótimas e inteligentes. E escutar o Carlos Lyra conversando com a platéia ao longo dessa música, me fez sentir estar ouvindo um audiobook do Sabino. Que almas criativas maravilhosas:

Bônus: nesse medley postado acima, Carlos Lyra canta Maria Moita, música que apareceu no último post com a música You Don’t Know Me, do Caetano. Inclusive, me corrigindo que Maria Moita é de Vinicius, e não de Carlos Lyra. Perdão pelo vacilo.

Mas voltando ao Carlos Lyra. Ele é um carioca pequeninho, dono de uma voz que eu acho fascinante. Muito potente e grave, afinação fantástica. Uma voz “larger than life”, porque ao mesmo tempo que ela é versátil e impressiona, parece que você se identifica, e gosta imediatamente.

Hoje é o dia de todo mundo voltar a trabalhar, depois de férias bem gostosinhas. Então trago a linda Marcha de quarta-feira de cinzas, que fala sobre o sentimento melancólico, porem animado com a perspectiva de voltar a trabalhar depois do carnaval.

 

Se você gostou dessa música, pode ouvir também no timbre lindinho da Nara Leão, em uma versão com coro maravilhoso no refrão, curto muito:

Aproveito pra deixar mais um fantástica do Carlos Lyra aqui, uma música que ele mesmo intitula como “minha primeira canção de protesto”. Prestem atenção na letra fantástica:

Olha que belezinha ele se apresentando no Sesc em 2013, com nada menos que 74 aninhos:

Bom ano a todos!

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You don’t know me – Caetano Veloso

Recentemente conheci essa música e nunca mais parei de ouvir.

Sabe quando você escuta a mesma música 8 milhões de vezes? Escuta quando tá feliz, quando tá triste, quando tá parado, em movimento, etc, etc? Foi essa música.

Confesso que nunca fui fã do Caetano Veloso, sempre achei ele chato, e achava as músicas dele igualmente chatas. tanto que quando You don’t know me começou a tocar no spotify, eu não acreditei que era dele. Mas se assim como eu, você tem uma birrinha, dê uma chance pra essa que você vai curtir.

You Dont Know Me é uma música em inglês (que por sinal Caetano fala muito bem aqui), do álbum Transa de 1972, que é super intensa e parece ser muito contemporânea.

Ao longo da música, Caetano faz um medley com mais três canções totalmente diferentes. A primeira a aparecer é Maria Moita de Carlos Lyra:

Nasci lá na Bahia,

De mucama com feitor…

Meu pai dormia em cama,

Minha mãe no pisador…

A próxima é Saudosimo, do próprio Caetano, mas que em You don’t know me, é cantada no fundo pela Gal Costa, com uma voz linda e suave.

“Eu, você, nós dois…

Já temos um passado meu amor, um violão guardado…”

E por último, mas não menos surpreendente, temos ninguém menos que Gonzagão com Hora do adeus.

“Eu agradeço, ao povo brasileiro…

Norte, centro, sul, inteiro, onde reinou o baião”

Medley pra lá de inesperado mas que deu um resultado incrível né?

E olha que legal esse cover feito pela banda indie britânica The Magic Numbers. Confesso que é muito engraçadinho eles falando português:

E isso é o mundo da música! As vezes um artista que você não adora pode te surpreender com alguma música incrível.

Chico Buarque – Mambembe

Existem  algumas músicas que eu gosto de ouvir por que sinto que tem uma energia diferente, uma coisa quase cósmica. Músicas que tem um poder mezzo sobrenatural, que você não saber explicar, mas que quando você escuta, é diferente de outras músicas.

Pra mim a primeira a vir a mente nesse estilo é Canto de Ossanha. Mas outra que tem a mesma sensação é essa aqui, Mambembe de Chico Buarque, que consegue ter esse efeito mesmo sendo uma música de 1 minuto e 50 segundos.

Eu adoro músicas que começam em crescendo, e é o caso dessa. Ela começa bem baixinha, e conforme vai subindo, parece que não para mais.

Outra coisa incrível, se você conseguir isolar seu ouvido da letra cantada, e se concentrar na instrumentação, vai ficar fascinado com um violão fora de série, incrivelmente complexo, além de uma trupe de violinos em momentos exatos da música, graves balanceados…é incrível. A instrumentação é espetacular.

A letra também é sensacional, métrica perfeita, rimas inteligentes, lindo, lindo.

E daí temos o canto em coro que eu sempre amo, que confere uma magnitude toda diferente.

Sensacional, porém uma pena tão grande que o brasileiro hoje em dia só sabe cagar no Chico Buarque, e só sabe se referir a ele como “aquele petista filho da puta”. E foda-se todo o resto de contribuição intelectual, e imensurável pro nosso patrimônio cultural, não é mesmo?

 

Jorge Ben – O Telefone

Uma vez eu comprei um livro muito louco chamado Alucinações musicais, imaginando que ele abordaria o processo criativo ou sentimental da música, ou qualquer coisa assim. Grande engano.

Ele é na verdade um livro escrito por um neurologista super foda chamado Oliver Sacks, que explica ao longo do livro várias doenças e problemas que pessoas nascem com ou desenvolvem ao longo da vida, relacionadas a alucinações musicais.

Quer um exemplo maluco?

O primeiro exemplo do livro é ótimo. Um médico americano foi atingido por um raio, e ficou um bom tempo internado se recuperando. Quando se recuperou definitivamente, não conseguia por nada no mundo tirar de sua cabeça uma melodia de piano. Ele ficou tão obcecado com o piano que ouvia em sua mente, que largou tudo (tudo mesmo, emprego, esposa, etc.) para se dedicar exclusivamente ao piano e conseguir tocar aquela música que ele não parava de ouvir.

Outro caso inusitado era de uma senhora, que arrumou briga com todos os seus vizinhos, pois estes não paravam de ouvir uma música ensurdecedora de tão alta, e sempre, o dia todo, a mesma música. Até que ela descobriu que a música não estava nos seus vizinhos, e sim dentro da sua cabeça. Era tão alto e ensurdecedor que ela se sentia maluca.

Por que contei tudo isso? Porque hoje acordei me sentindo a senhorinha do segundo exemplo. Acordei com O telefone, de Jorge Ben tocando na minha cabeça em looping, e eu a ouvia tão nítida, que era como se outra pessoa estivesse escutando ela numa caixinha de som do meu lado full time.

Foi louco.

Que pena….Que pena….

Dalva de Oliveira – Bandeira Branca

Não sei por qual motivo acordei com essa música na cabeça hoje, nessa versão incomparável da Dalva de Oliveira.

Acho ela incrível, potente, emblemática.

Quem já conhece esse bloguinho, sabe que eu adoro pensar em “músicas dignas de trilha sonora”, e acho essa música tão forte, com um significado tão legal, uma instrumentação tão foda, que imagina só ela sendo empregada em um momento decisivo, impactante de um filme?

Sensacional:

Recentemente li o incrível livro “A noite de meu bem” do Ruy Castro, em que ele conta com riqueza de detalhes a trajetória de Dalva e de tantos outros nomes incríveis da música nacional nas décadas de 30, 40 e 50.

Nessa época, como podemos imaginar, as gravações eram muito mais difíceis e caras de executar do que hoje. E por isso, as gravadoras tinham seus artistas favoritos, que eram os que tinham “direito” a usar orquestras completas em suas gravações. Dalva de Oliveira era uma dessas. Basta prestar atenção em algumas de suas músicas para perceber a riqueza de instrumentação e se dar conta que ela era pra lá de favorita:

Pra fechar em clima carnavalesco, deixo Dalva cantando Máscara Negra de Zé Keti (como eu amo as vogais alongadas) :

Tanto riso, oh, quanta alegria!

Originais do Samba – Falador passa mal

Hoje percebi (não sei se começou antes), que começaram as propagandas políticas na tv e no rádio.

Eu considero a época de eleições desesperador, um desastre generalizado (essas eleições presidenciais então, só por deus) . São tantas promessas absurdas e infundadas, que achei apropriada essa música pra esse momento:

Reconheceu de quem é a risada no meio da música?

É ele mesmo, o Mussum. O Originais do Samba era o grupo de samba dele antes de entrar pros Trapalhões. Legal né?

Olha que Mussum novinho mandando um ao vivasso sensacional aqui:

Aqui o Mussum fala do jeitão boa praça dele de como começaram os Originais do Samba, e algumas dificuldades que eles passaram:

Tá na hora de empirulitar?